domingo, 17 de setembro de 2017

O STJ aprovou seis novas súmulas. Fique atualizado!

O STJ aprovou seis novas súmulas. Fique atualizado!




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O STJ aprovou ontem (13/09/2017) seis novas súmulas.
Confira abaixo a redação dos enunciados.
  1. É permitida a prova emprestada no processo administrativo disciplinar desde que devidamente autorizado pelo juízo competente e respeitado o contraditório e a ampla defesa.
  2. O excesso de prazo para conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo a defesa.
  3. Constitui acréscimo patrimonial a atrair a incidência do imposto de renda, em caso de liquidação de entidade de previdência privada, a quantia que couber a cada participante, por rateio do patrimônio, superior ao valor das respectivas contribuições a entidade, liquidação devidamente atualizadas e corrigidas.
  4. Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, inciso V, da lei 11.343/06 é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre Estados da Federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.
  5. A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher, com violência ou grave ameaça, no ambiente doméstico impossibilita a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
  6. É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.
Fonte: dizer o direito.

sábado, 16 de setembro de 2017

Para mim é uma semana normal, sem comilança e borracheira.

A Revolução Farroupilha e o massacre dos Lanceiros Negros


Covardia, traição e centenas de mortes são o verdadeiro legado de personagens que entraram para a História como “heróis militares”.
Foi no dia 20 de setembro de 1835 que as tropas farroupilhas comandadas pelo general Bento Gonçalves se rebelaram contra o Império do Brasil e proclamaram a independência da República Rio-Grandense. Deu-se início à mais longa guerra separatista da história do País.
A Revolução Farroupilha não foi uma revolta do povo gaúcho, mas dos grandes proprietários de terras — que estavam insatisfeitos com as leis federais e com a quantidade de impostos. Nos campos de batalha, no entanto, quem protagonizou a luta (em um primeiro momento) foram os mestiços, os índios e os brancos pobres.
A população negra do Rio Grande do Sul, à época, consistia em pessoas escravizadas submetidas a esses grandes proprietários de terras. Durante o primeiro ano de guerra, eles não foram enviados para o combate porque os patrões precisavam da sua força de trabalho. O general Antônio de Souza Netto, abolicionista declarado, propôs que os negros fossem libertados para participar da revolução. Apenas em outubro do ano seguinte, 1836, depois que as tropas farroupilhas sofreram graves baixas na Derrota de Fanfa, é que a proposta de Netto foi aceita.
Os ex-escravizados formaram uma unidade militar que ficou conhecida como Lanceiros Negros. Eram exímios combatentes de cavalaria armados com lanças compridas, que se entregavam à luta com garra. Eles lutavam com a ciência de que a liberdade recém conquistada estava condicionada à vitória sobre o regime escravocrata do Império do Brasil.
O republicano Giuseppe Garibaldi, um dos personagens da Revolução Farroupilha, ressaltou a qualidade dos Lanceiros Negros em combate (segundo biografia escrita por Alexandre Dumas):
“[São] soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo. (…) Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações.”
Por dez anos, os Lanceiros Negros protagonizaram participações decisivas nas batalhas ao lado dos farrapos. A guerra contra as tropas imperiais, no entanto, se tornou cada vez mais inviável.

Traição sangrenta

As negociações de paz avançavam cada vez mais entre os dois lados do conflito. Poucos detalhes restavam para que a guerra chegasse ao fim.
Um dos principais impasses era justamente a situação dos Lanceiros Negros. O Império Brasileiro não aceitava a existência de homens negros em liberdade e armados, experientes em combate. O abolicionismo havia sido declarado como um ideal farroupilha e era condição exigida pelos revolucionários para que a paz fosse selada.
Os grandes proprietários de terras gaúchos, no entanto, estavam longe de serem considerados fiéis seguidores dos ideais farroupilhas. Na verdade, os patrocinadores da revolução compartilhavam do mesmo pensamento que os imperiais no que se referia aos negros; afinal, o trabalho escravo era a principal mão-de-obra em suas fazendas.
Esse foi o contexto que levou à covardia planejada pelo general farroupilha David Canabarro e pelo imperial Barão de Caxias para eliminar o impasse pela raiz.
Em novembro de 1844, conforme combinado entre os dois líderes militares, Canabarro ordenou à tropa de Lanceiros Negros para que fosse desarmada até o cerro de Porongos e lá montasse acampamento. A Caxias, coube ordenar às tropas imperiais para que também se deslocassem até o local para combater os farroupilhas que lá estivessem.
Eis um trecho da carta enviada pelo Barão de Caxias ao comandante imperial Francisco Pedro de Abreu, líder das tropas que atacariam os Lanceiros Negros:
“Poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou dos índios, pois bem se sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro.”
Desarmados e pegos de surpresa às 2h da madrugada, os negros farroupilhas foram dizimados pelos soldados imperiais. O massacre resultou na morte de centenas de lanceiros (as versões variam entre 170 e 800 mortos). Os poucos que sobreviveram foram enviados ao Rio de Janeiro para serem reintroduzidos à vida de escravidão e trabalhos forçados.
Ilustração: Thiago Krening
Com o extermínio da tropa dos Lanceiros Negros, o principal impasse entre os farrapos e os imperiais já não existia mais. A traição de Canabarro e a covardia de Caxias permitiram aos dois lados selarem um tratado de paz. O preço do fim da guerra foi o sangue dos bravos guerreiros negros.
Algum tempo depois, o Barão de Caxias recebeu um título mais pomposo e se transformou em Duque de Caxias, aquele que hoje é considerado o patrono do Exército Brasileiro.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Jurista Lenio Streck tira Sergio Moro da zona de conforto


Jurista Lenio Streck tira Sergio Moro da zona de conforto

Sergio Moro Lenio Streck lava jato
Sergio Moro foi ao Facebook de Lenio Streck rebater texto do jurista
O jurista Lenio Streck publicou em sua página no Facebook, neste sábado (24), um pequeno texto que demonstra que a defesa de José Carlos Bumlai na Lava Jato não foi respeitada pelo juiz federal Sergio Moro.
Segundo Streck, o acompanhamento processual da ação envolvendo Bumlai mostra que a sentença pela condenação proferida por Moro, com 160 páginas, saiu dois minutos após a defesa juntar as alegações finais.
Para o jurista, o “Estado Democrático de Direito está em risco. Exceção em cima de exceção. Tudo em nome de argumentos finalisticos. A moral predou o direito. E com apoio de grande parte da comunidade jurídica. Os juristas estão canibalizando o direito! Isso não vai terminar bem!”.
Ao tomar conhecimento do texto, Sergio Moro, juiz da Lava Jato, que costuma dizer que só se pronuncia através dos autos (e em palestras), entrou no Facebook de Lênio para rebater as acusações.

Abaixo, veja a transcrição do que escreveram Streck e Moro:

Lenio Streck publicou: “Sentença proferida por Sérgio Moro no caso Bumlay: Alegações finais da defesa entraram dia 14. Conclusão ao juiz as 7h52min do dia 15. Sentença de 160 páginas dois minutos depois, as 7h54min. Bingo! Será necessário dizer algo?
Há anos aviso que o solipsismo judicial acabaria com o direito. E a dogmática jurídica tradicional foi conivente. Quem esteve no Ibcrim do ano passado e assistiu minha palestra sabe do que estou falando! O Estado Democrático de Direito está em risco. Exceção em cima de exceção. Tudo em nome de argumentos finalisticos.
A moral predou o direito. E com apoio de grande parte da comunidade jurídica. Os juristas estão canabalizando o direito! Isso não vai terminar bem!
Leio na imprensa que o prolator da decisão viajou no dia 15, dia do protocolo da decisão, para os Estados Unidos. Ok. Protocolou de manhã. Claro: foi a assessoria. Mas se parte das alegações só chegaram um dia antes e os autos foram conclusos no dia 15 de manhã… Entendem o quero dizer? Uma procuradora disse: qual é o problema?
As alegações do dia 14 eram do Zelaia e ele foi absolvido. Ok. E o que isso muda? Altera algo do simulacro em que se transformou o processo eletrônico? Se é verdade que os horários e datas não têm relevância, de que modo podemos confiar que o juiz leu ou não a argumentação? Ou podemos, como em Henry VI, matar os advogados? Kill the lawyers!
Há 20 anos eu dizia: o livre convencimento é uma carta branca para o arbítrio. Alguns amigos do processo penal diziam: mas, Lenio, o livre convencimento é motivado. Eu respondia: isso não pode ser assim. Não se pode dar livre convencimento, porque vivenciada a depender o juiz ou tribunal e não da lei ou de uma estrutura com um mínimo de objetividade. Tudo se transforma em subjetivismo.
Não me ouviram. Hoje os mesmos amigos sentem na carne o problema. Motivado? Ora, sequer motivação é igual a fundamentação. No debate no ibcrim, Moro tentou explicar o LC dizendo que isso substituía a prova tarifada. Ok. Sabemos disso. Mas, antes disso, há um problema de filosofia: o paradigma da filosofia da consciência.
Sinceramente? Se voltarmos à prova tarifada pode ser um avanço. Um giro para trás para impedir o arbítrio. Saludos!”
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Resposta de Sergio Moro: “Vale esclarecer os fatos ao jurista Lenio Streck. A ação penal 50615785120154047000 foi conclusa para sentença em 13/08/2016. Em 09/09/2016, sentença ja em elaboração, baixei em diligência para juntar cópia faltante do acordo de Nestor Cerveró e a bem da ampla defesa.
Todos já sabiam do acordo mas era relevante a juntada do documento faltante. Foi então concedido prazo as partes para querendo complementarem suas alegações finais. Apenas ratificaram suas alegações, o que fizeram até 14/09/2016, sem nada inovar nas alegações anteriores..
Em 15/09/2016, foi então prolatada a sentença. O registro da conclusão foi apenas para permitir o lançamento da sentença no sistema. Críticas são bem vindas a qualquer atuação de agentes públicos. Mas convém que os fatos sejam relatados como aconteceram e não com com distorção do ocorrido. Do contrário parece má-fé, o que imagino que não deve ter sido a intenção do jurista em questão.
Quanto à defesa do sistema de provas tarifadas ou legais, é um pensamento inovador mas para o seculo XIII, quando ele substituiu mais ou menos a partir do Quarto Concilio Laterano, em 1215, o sistema das ordálias ou das provas de Deus. Não conheço ninguém no mundo que defenda o mesmo, mas não deixa de ser um pensamento original do jurista. Não voltarei ao tema por aqui. Sinto pela aspereza.”
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Tréplica de Lenio Streck: “Sergio Moro explicou, aqui no face, que as partes apenas ratificaram as alegações defensivas até o dia 14. Com isso eu estaria enganado. Ora, se as partes “apenas” ratificaram, no que se explica que a sentença estivesse pronta mesmo antes da apresentação das ratificações?
O que não se explica é essa “metodologia” processual. Desculpem, mas uma decisão – mormente de 160 laudas – não pode ser colocada como pronta horas depois das ultimas alegações. No mínimo, não pega bem. Só isso. E nada disso altera o estado das coisas acerca de que como o direito de defesa tem sido tratado.
Sou do tempo em que sentença era feita depois das alegações finais. No meu CPP não tem previsão de sentença em elaboração! 28 anos defendendo a legalidade constitucional no MP. Agora continuo apenas clamando pela legalidade. Só isso. No Brasil, defender a legalidade virou ofensa e exotismo. Uma simples leitura do CPP me dá razão nesse debate. Mas tudo ficou ideologizado. Admira-me juristas defendendo estado de exceção! O Brasil não aprende mesmo. A moral venceu o direito”
com informações de GGN e DCM

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

MONSANTO E A BRIGA COM A OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE).

No cartaz está escrito: Monsanto. É uma das maiores empresas de produção dos alimentos trasgênicos.

Para especialista, Monsanto não conseguirá provar sua inocência na morte de muitas pessoas

© Sputnik/ Kaveh Rostamkhani
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Monsanto, a empresa norte-americana que produz herbicida Roundup - recordista de vendas no mundo agrícola e supostamente cancerígeno - está lutando com a Organização Mundial da Saúde (OMS) pela sua reputação e pela possibilidade de não ser responsabilizada pelos danos que seus produtos já causaram.
Alexis Baden-Mayer, chefe política da Associação dos Consumidores Orgânicos, falou com a Sputnik Internacional se manifestando extremamente contra a atividade da Monsanto.
"O glifosato é o ingrediente principal do herbicida Roundup. Milhares de pessoas que trabalhavam com Roundup adoeceram com câncer. Mas esta substância também foi encontrada em quantidades perigosas na comida, em pequenas quantidades ela é capaz de perturbar o funcionamento da digestão e o sistema imunitário", advertiu Baden-Mayer.
Segundo ela, a Monsanto não tem chances de superar a decisão da OMS que o Roundup é uma substância cancerígena, pois, infelizmente, os casos de contaminação falam por si próprios. O que agora a Monsanto tenta fazer é apresentar relatórios falsos que visem destruir a reputação dos cientistas honestos.
De acordo com Baden-Mayer, o grupo de especialistas da OMS já estudou os casos e encontrou a ligação entre doenças e o uso de Roundup, há vários relatórios ainda não publicados que não podem ser usados, mas quando se tornarem públicos, mostrarão novas provas que não são a favor da Monsanto.
"O que aconteceu é horrível. Pessoas estão morrendo por terem sido afetadas pelo Roundup. Mesmo na minha família. Minha avó morreu de câncer e ela usava Roundup no seu jardim de rosas. Muitas pessoas o usam quando trabalham no seu quintal ou jardim", confessou a chefe da associação.
Além de o valor de cada vida ser inestimável, Baden-Mayer espera que a decisão do tribunal sobre indemnizações seja generosa e que a Monsanto seja punida e obrigada a pagar pelo mal que fez.
Stephanie Seneff, pesquisadora superior do Laboratório de Inteligência Artificial no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), outra especialista entrevistada pela Sputnik Internacional, afirmou que as pessoas não se dão conta do perigo que representa o glifosato, que é tóxico para todos seres vivos e especialmente para as pessoas. As doenças que ele causa provocam uma crise da saúde pública.
O que dificulta o processo de obtenção de provas é que as doenças, especialmente o linfoma não-Hodgkin, são difíceis de detectar, pois elas podem aparecer décadas depois.
"O Glifosato é uma molécula-monstro que tem que ser proibida em todo o mundo", afirmou a pesquisadora.

EU TENHO. OS OUTRO NÃO PODEM TER!?


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Em meados do século XX, uma coisa mudou totalmente o conceito humano da guerra. Foi a bomba atômica que, uma vez criada pelos construtores norte-americanos, alastrou seu tenebroso perigo por todo o mundo. A Sputnik explica por que hoje em dia as armas nucleares representam uma pedra angular da política internacional.
A maioria dos países-párias, ou seja, daqueles que têm sido submetidos ao regime rígido de sanções nas últimas décadas, tiveram algo a ver com as armas nucleares. O "clube de elite" que inicialmente ganhou o inédito privilégio de possuir seu próprio arsenal de ogivas está cada vez mais irritado com o fato de outros países tentarem usurpar esta vantagem. Para entender do que é que consiste a atual "corrida" nuclear em vários níveis, basta recordar a história.
Surgimento do armamento mais mortífero na história
Os primeiros descobrimentos ligados às substâncias atômicas, que em consequência possibilitaram a criação e teste bem-sucedido da primeira bomba nuclear, remontam aos fins do século XIX. Porém, a vida das armas nucleares em pleno funcionamento começou apenas em 1945, vários anos antes do início da Guerra Fria.
Neste sentido, os pioneiros foram os americanos, e eles também foram os únicos na história a usarem o potencial nuclear não só para efetuar ensaios, mas para efetuar um verdadeiro ataque bélico contra a população civil. Deste modo, em agosto de 1945, os americanos lançaram duas bombas (com um tom de "humor negro", uma delas se chamou "Bebé") contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. No total, morreram entre 150 e 220 mil pessoas.
O ato foi justificado pelo comando estadunidense como uma medida para acelerar a capitulação japonesa na Segunda Guerra Mundial, porém, a racionalidade de tais medidas ainda hoje gera repercussões inflamadas.
Evidentemente, no contexto de uma confrontação áspera entre as duas superpotências que saíram vencedoras do maior conflito militar na história humana, a URSS não podia se dar ao luxo de descartar projetos similares para contrabalançar o "trunfo" que Washington, de súbito, ganhou. Como resultado, os construtores soviéticos concretizaram a iniciativa, tornando o país na segunda potência nuclear já em 1949.
Porém, estes dois acabaram por não ser os únicos donos de uma força tão destruidora e capaz de conter o inimigo. Durante os anos seguintes, o Reino Unido, a França e a China também realizaram testes bem-sucedidos dos seus análogos da inovadora arma exterminadora. Estes cinco países, no final, formaram o "clube nuclear" oficial que continua existindo até hoje.
Quando o 'jogo' se torna perigoso demais
Se os três últimos países obtiveram seu potencial nuclear, de fato, para não ficarem "atrasados" em relação aos outros e nunca chegaram a desenvolvê-lo em larga escala, os EUA e a URSS, a partir da década de 50, se lançaram em uma acirrada corrida armamentista. Claro que as armas nucleares desempenharam um papel indispensável nesta aventura tenaz de "igualar e ultrapassar".
Vale ressaltar que, nessa corrida, as autoridades soviéticas cunharam o conceito de "paridade nuclear", enquanto os seus colegas americanos tentaram fazer um enfoque na supremacia das suas forças nuclearas. E houve supremacia, sim, pois os norte-americanos foram os primeiros a se empenharem nesta aventura, porém, já nos meados da década de 1970, a paridade, ou seja, a igualdade dos arsenais, foi alcançada.
No entanto, além das "vertigens de sucesso" que a posse de tal força mortífera garantia, os países logo se deram conta que esta tinha mudado todo o conceito de jogo geopolítico e ação militar. Um exemplo marcante disso foi a Crise do Caribe, ou a Crise de Mísseis de Cuba, quando as duas superpotências nucleares, realmente, estiveram a um passo da catástrofe global, com as ogivas de cada um deles posicionadas contra o outro.
Felizmente, o então líder soviético Khruschev e o presidente estadunidense Kennedy conseguiram chegar a um consenso e impedir o pesadelo mais temível de todo o mundo. Porém, com este incidente chegou o entendimento de que as armas nucleares levaram a uma ordem mundial completamente nova, que carecia de legislação e regulação adequadas.
Neste novo contexto, as ferramentas habituais de pressão e provocação já não serviam, pois apenas um ataque significava um ataque recíproco, e, consequentemente, a eliminação (parcial ou completa) de ambos os lados.
Foi por este motivo que a segunda metade dos anos 60 e toda a década seguinte foram marcadas pela chamada "détente", palavra francesa que incluía, particularmente, a dissuasão nuclear, ou seja, pelo menos a suspensão do alastramento dos respectivos armamentos e, num cenário otimista, sua redução.
Embora a motivação de tal movimento em geopolítica pareça bem razoável, até hoje há bastantes críticos da iniciativa. Na opinião deles, o desarmamento nuclear pode neutralizar o valioso efeito de "contenção" que ajuda a evitar um conflito bélico global.
Aqueles que 'chegam sem serem convidados'
Assim, Washington e Moscou conseguiram assinar toda uma série de acordos que contribuiu para a eliminação de milhares de ogivas e pôs um freio no crescente monstro da eminente guerra nuclear. Entre estes documentos se pode enumerar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (cuja concretização, a propósito, continua provocando o descontentamento de ambas as partes), o SALT-I e o SALT-II sobre limites de armas estratégicas, ou seja, as armas que garantem o transporte de cargas nucleares.
No entanto, o maior e o mais importante acordo que abrangeu, não só os dois gigantes da época, mas também os outros Estados possuidores de arsenais atômicos, foi celebrado ainda em 1968 — o Tratado de não proliferação de armas nucleares. Foi precisamente este documento que assegurou, e continua assegurando até hoje, o direito dos cinco países do clube a possuírem armas nucleares. A partir deste momento, todo o país que se atrevesse a desenvolver este tipo de armamentos enfrentou toda a fúria da comunidade internacional, em primeiro lugar da ONU.
Entre esses países figura, por exemplo, a Índia, que nos fins do século passado foi reconhecida como uma potência nuclear não oficial. Mas para que um país que nunca se mostrou verdadeiramente militarizado precisaria de tal tipo de armamentos? A resposta é simples: a criação da bomba atômica suscitou uma espécie de efeito de dominó e, consequentemente, os Estados da mesma região das potências atômicas se sentiam ameaçados por esta evidente distorção do equilíbrio de forças. Nova Deli, por sua vez, temia o domínio crescente da China nuclear na Ásia e também visava obter um "porrete" contra o seu ex-território muçulmano e rebelde, o Paquistão. Os testes foram conduzidos clandestinamente já em 1974.
Evidentemente, os paquistaneses não tinham mais nada a fazer senão criar a mesma arma para se defenderem da "possível agressão", lembrando a cisão forçada da sua parte oriental, o Bangladesh. Porém, as pesquisas e o processo de construção lhe levaram muito mais tempo, e o país passou a ser nuclear apenas em 1998. Hoje em dia, embora Islamabad afirme que adere à doutrina de "não atacar primeiro", muitos especialistas estão preocupados com o crescimento do seu arsenal atômico que já não parece existir apenas para "dissuadir" os inimigos.
Um dos países que, literalmente, ficou pária e objeto de inúmeras sanções por parte da comunidade internacional é o Irã, mesmo que este sempre tenha reiterado o caráter pacífico do seu programa nuclear. Na presidência de Barack Obama, houve inéditos avanços no processo de negociações com o país, que acordou em reduzir seus arsenais e transferir as produções; contudo, com a retórica atual da administração Trump o futuro do "arranjo iraniano" fica mais do que nebuloso.
Entretanto, Israel, por exemplo, apesar de ser suspeito de possuir armas nucleares pelos serviços secretos de numerosos países, nunca se confrontou com tal fúria por parte das estruturas internacionais. Aliás, o país nem aderiu ao histórico Tratado de não proliferação de armas nucleares. Na avaliação de analistas, Tel Aviv pode não somente dispor de um grande potencial nuclear clandestino, mas até possuir a chamada "tríade nuclear", isto é, as forças estratégicas em terra, no mar e no ar que possibilitam o transporte e, particularmente, o próprio lançamento de ogivas.
E, por fim, claro — a maior ameaça à paz no conceito norte-americano de hoje, a Coreia do Norte. Esta já há mais de uma década revelou que estava desenvolvendo uma bomba atômica, seus lançamentos de mísseis desencadeiam histeria por todo o mundo, as edições internacionais não param de falar sobre uma iminente Terceira Guerra Mundial. Mas, pensando com a cabeça fria, a maioria dos especialistas concorda que as armas atômicas, para Pyongyang, são apenas uma ferramenta de contenção e a liderança do país é inteligente demais para não atacar primeiro, tanto mais que, pelas avaliações, o país ainda não possui um verdadeiro míssil intercontinental (mas está muito perto de fazê-lo).
Há tanta sedução para falar, mais uma vez, dos duplos padrões que penetram a geopolítica hoje em dia. Neste âmbito, acontece a mesma coisa: aquilo que os outros desfrutam, é proibido aos outros. Esta ambiguidade das regras do jogo faz com que o mundo se torne cada vez mais vulnerável frente a uma ameaça de guerra global. Talvez, o "clube de elite" deva ceder sua supremacia e tentar construir uma nova ordem que corresponda melhor à realidade de hoje? Uma coisa é certa: há falta de regulação, e esta falta, como se sabe, é algo que gera o caos.

Mísseis de Putin OBLITERAM Kiev, Irã solta BOMBA da guerra sobre Trump | Andrei Martyanov

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